quinta-feira, dezembro 08, 2016

Memórias do Outono ~ Capítulo 1



"Cem dias me fizeram mais velho
Desde a última vez que vi seu lindo rosto
Milhares de mentiras me fizeram mais frio
E eu não acho que possa olhar para isso da mesma maneira
Mas toda a distância que nos separa
Ela desaparece agora, quando estou sonhando com seu rosto"
Here Without You ~ 3 Doors Downs

Aaron Carter estava às seis da manhã em seu escritório encarando o Porta-retratos de Annie, estava lembrando de como ela estava tão linda no dia de seu casamento. Era outono, uma das estações preferidas dela e dizia que era tempo de renovo, porém foi a sua ultima, do mesmo jeito que as folhas caem e ia embora junto ao vento, ela se foi e no momento que era pra ser o mais feliz de suas vidas, Annie faleceu dando a luz a sua filha Abby e então o gentil Aaron perdeu seu chão e se tornou o frio Senhor Carter.
— Olá? – Scott seu melhor amigo e advogado da empresa disse entrando e despertando o amigo.
— Oi, o que faz aqui tão cedo? – perguntou.
— Sério? Esse é o meu horário, você que devia chegar mais tarde hoje não é?
— Eu? Por quê?
— Reunião na escola da Abby – e ai os sinos tocavam em sua mente, esqueceu-se da reunião escolar de sua filha e na carta dizia "Urgente".
— Eu tinha esquecido. O que será tão urgente que meus empregados não podem ir? – resmungou.
— Não sei e é por isso que estou aqui, afinal são muito assustadoras as reuniões escolares ainda mais com a Senhorita Margareth – disse piscando.
— Nossa a sua ironia vai te matar um dia
—Seu mau humor vai fazer você ir primeiro, cuidado! –retrucou enquanto pegava seu casaco – Vamos?
Do escritório até a escola era cinco minutos de carro, quando chegaram viram que algumas crianças estavam brincando no jardim, Aaron já havia estudado ali juntamente com Annie e olhando-as lhe trazia lembranças, foram até a recepção e a moça de olhos castanhos e cabelo bem escuro deu um sorriso encantador e indicou a segunda porta a esquerda no corredor ao lado e logo avistou a senhorita Margareth, diretora e dona da escola, em sua época ela ainda era a professora e filha dos donos, seus cabelos quase grisalhos dava traços de sua idade e então pediu para que os dois se sentassem.
— Bom dia Senhor Aaron, sente-se vejo que veio acompanhado pelo senhor Scott.
— Bem observado – Scott debochou, enquanto se sentava jogado na cadeira, aparentemente se sentia a vontade.
— E vejo que seu humor não mudou também – a mulher disse séria como se não gostasse de seu modo – Victória está bem?
— Sim, muito bem – ele disse encarando-a.
— Senhor Aaron o motivo pelo qual requisitei sua presença, é que sua filha está muito distante.
— Como assim? – perguntou.
— A senhorita Janete da recepção é professora dela e a encontrou chorando no corredor em um canto, ela disse que não era nada, mas ela estava bastante sentida com alguma coisa – ela respirou fundo e parecia procurar palavras para explicar tal situação – ultimamente sua filha não presta atenção nas aulas, não brinca e nem faz nada.
— Em casa ela fica normal, não há nada de estranho.
— Então eu acho que o senhor precisa prestar mais atenção em sua filha, mas eu não quero julgar o modo que cria a Abby, então vou aconselhar – ela colocou suas mãos em cima da mesa e cruzou seus dedos – Ela precisa de alguém com ela e não me diga empregado por que não é isso que eu quero ouvir, ela precisa de uma amiga, alguém que esteja com ela e não em um modo robótico que nem seus empregados.
— Está supondo uma mãe?
— Não senhor Carter, estou supondo uma babá.
— Meus empregados a conhecem a bastante tempo, são de minha total confiança, não posso por uma babá que nem conheço.
— Senhor Carter...
—Que tal o anjo? – supôs Scott interrompendo-a.
—Oh! Sim, ela seria ótima – aquele momento foi o único em que eles sorriram um para o outro, Aaron não havia entendido nada.
— Então assunto encerrado, hoje a tarde ou amanhã você vai conhecer a babá de sua filha, mas antes terei que contata-la – Scott se levantou dando o caso por encerrado.
— Mas...
— Quer continuar com a velha ou quer resolver do meu jeito – ele sussurrava no ouvido de Aaron– Então só me siga.
— Está bem – se levantou para se despedir.
—Só mais uma coisa senhor Aaron, se o senhor não melhorar eu vou ter que contatar o juizado.
— Oque a senhora quer dizer com isso?
—O que o senhor ouviu, infelizmente eu não sou a pessoa certa para dizer, ou descobre sozinho ou a pessoa certa te dirá.
Aaron remoeu aquelas palavras durante todo o dia, voltou ao escritório e me mergulhou no trabalho, não havia entendido o que ela quis dizer, Abby só tinha seis anos, como ele desejava que Annie estivesse ali ao seu lado, cada dia que passava a Abby ficava mais parecida com ela, seus cabelos loiros, seus olhos verdes e seu jeito meigo de ser. Ele ficava imaginando como seria suas tardes se ela tivesse a mãe por perto, provavelmente Aaron nem estaria trabalhando ali.
—Ainda pensativo? – Scott perguntou sentando-se na cadeira em frente a mesa
—Não, na verdade estou bem – disse se arrumando em sua belíssima cadeira de couro acolchoada e continuou – O que está fazendo aqui? Não é seu horário de almoço?
—É mais trouxe os papeis sobre sua nova babá, ops da Abby, desculpa.
—Sempre engraçadinho, não entendo o porquê tem que ser babá, e você a conhece de onde?
— Ela é a melhor amiga da minha filha, eu a conheço desde que ela tinha onze anos e se ela não fosse capaz eu não a pediria pra fazer isso, ela leva jeito com crianças e gosta de ajudar, vai ser ótima para a Abby, se quiser conhece-la vai hoje a noite jantar lá em casa e a apresentarei para você.
— Vou confiar em você e vou ver se consigo ir.
— Bem... Você indo ou não ela vai então qualquer coisa é só aparecer – ele se levantou – Vai almoçar agora?
—Não, pode ir, obrigada.
Ele se levantou pegou seu casaco e saiu, Scott é um cara de trinca e quatro anos é alto, moreno e usa barba cerrada, cabelo curto preto, só usa ternos para trabalhar ele se sente mais sério assim e as garotas sempre vão atrás dele por ser pintoso e também por causa de seu conversível.
♥♥♥♥♥
Aaron resolveu que não almoçaria no restaurante de sempre porque não estava com cabeça para conversas, eu não preciso de uma babá e também não preciso que uma velha irritante me ameace. Eu só precisava de Annie comigo.
Parou em uma cafeteria no centro da cidade e sentou-se em uma das mesas afastadas, pediu um café gelado e esse seria o meu almoço. Enquanto esperava pelo seu pedido pegou o celular e ficou verificando os seus e-mails, eram tantos compromissos e reuniões que ele estava ficando maluco. Ficou tão distraído que não percebeu as horas passarem, só notou que tinha passado tempo quando o sino da porta tocou chamando-lhe a atenção.
Uma garota de pele branca e cabelos tão negros como ônix entrou com um buquê de flores amarelas na cafeteria e se dirigiu até uma das mesas do fundo, onde uma mulher com o semblante chateado tomava um café sozinha. Aaron estava curioso para ver o que ela faria ali e sua atitude o surpreendeu, ela entregou as flores para a mulher e a mesma começou a chorar. A garota se sentou na cadeira ao lado e as duas conversaram por alguns minutos, em seguida ela saiu deixando Aaron totalmente confuso. Porque ela fez aquilo? Será que ela a conhece?
Observou atentamente a reação da mulher depois que a morena saiu e o que antes era tristeza em seu semblante agora era felicidade, um sorriso enorme estava estampado em seu rosto e as lágrimas continuavam caindo. A curiosidade e a dúvida estavam o corroendo e ele não se conteve e teve que se levantar e ir até a mesa da sortuda com o buque de flores e perguntar se ela a conhecia.
— Eu nunca vi aquela garota, eu estava sentada pensando em algumas coisas que me aconteceu e de repente ela apareceu aqui com essas flores.
— Tem certeza que a senhora nunca a viu? – perguntou pasmo.
— Certeza absoluta.
— Está bem, obrigado.
E então voltou a se sentar e passou o restante do dia pensando no porque de aquela garota ter feito aquilo, até que recebeu uma mensagem de sua secretária "Reunião Adiada, Senhor", já era quatro e meia, pegou suas coisas e foi até o estacionamento pegar seu Carro e foi para sua enorme casa se arrumar para o jantar de Scott, colocou um jeans escuro, uma blusa branca com um Blazer preto e um tênis preto, ele não estava muito a fim de ir, mas como havia prometido a Annie que daria tudo a Abby, então criou coragem e pegou seu carro e seguiu seu caminho. A casa dele era meia hora de carro, pelo caminho havia flores brancas na beirada da estrada, quando chegou ao destino, ficou parado em frente à porta pensando se batia na porta verde ou não, quando ia desistir o Scott abriu a porta.
—Onde está indo Aaron? – perguntando ao ver a tentativa do amigo.
— Lugar nenhum e você? – mentiu com um sorriso forçado.
— Verificando se já tinha chegado e se ia embora – p puxou para dentro e sussurrou piscando – Conheço teu cheiro.
— Até parece – a casa estava um pouco diferente desde a ultima vez que a vira.
— Só não repare, a casa está um pouco diferente?
— Sim, reformou? – perguntou enquanto entravam na bela cozinha.
— Mais ou menos, só dei uma ajeitada.
— Ora, Ora... Olha quem saiu da toca. – Victória filha de Scott ironizou.
— Quanto tempo Malévola – Victória nunca gostou de Aaron, sem motivos aparentes, parecíamos duas crianças que brigavam o tempo todo.
— Nossa é tão lindo, a família reunida e o amor que reside – Scott ironizou, e a campainha tocou.
— Eu atendo. – Tori foi pulando até a porta da frente e Aaron conseguiu ouvir uma voz doce indo em direção a cozinha, "Oi, Tori" "ainda bem que chegou, tem alguém que eu não sabia que viria, desculpa".
— Pai, ela chegou – quando Aaron a viu, ficou surpreso, a menina que havia visto mais cedo na cafeteria com as flores estava bem ali em sua frente com suas bochechas rosadas por causa do frio. A garota estava com um sobretudo rosa claro, e uma calça preta indiscreta.
— Então, Aaron essa é minha segunda filha Debra Bennet e Debra esse é meu melhor amigo Aaron Carter, o dono da empresa de onde trabalho.
— Prazer em conhecê-lo – a garota estendeu as suas delicadas mãos e ele apertou com toda a delicadeza para não machuca-la.
– O prazer é meu – respondeu.
— Sentem-se a comida está servida. – se sentaram e Scott sentou ao lado do amigo para que Debra se sentasse na frente de Aaron, a comida estava muito boa, Macarrão ao queijo de inicio, vinho e vários outros acompanhamentos, uma refeição que Aaron amava.
— Debra aceitou cuidar da Abby – Scott disse bebericando um pouco do vinho, pois sabia que Victória não iria gostar nem um pouco.
— Por isso você está aqui? Para fazer minha melhor amiga trabalhar – Tori disse o encarando;
— Tudo bem Tori, seu pai me explicou e como eu não estou fazendo nada importante decidi aceitar o trabalho.
— O trabalho vai ser diário, vai ter um motorista para redirecioná-la aos lugares, vai ter um cartão para comprar o que for preciso – ele sentiu o aroma de seu vinho seco e continuou – Você já cuidou de alguma criança senhorita Bennet?
— A Tori serve como referencia? – brincou, mas percebeu que ele não lidava bem com brincadeiras como Scott – É brincadeira, eu fiz trabalho voluntário em um orfanato a um tempo fora isso nunca.
— Mais ela é ótima – ele se aproximou do ouvido do amigo e sussurrou – Lembra-se da época que Victória teve problemas, ela que me ajudou.
— Scott te recomendou e gostaria de contratá-la.
— Quando começo? – disse ansiosa.
— Amanhã se puder – ela assentiu com a cabeça — Ah e só se seus pais permitirem então queria uma autorização deles.
Ela deu um sorriso constrangido e todos da sala pareciam desconfortáveis com o assunto, ninguém havia mencionado que eles haviam falecido quando ela era bem mais nova.
— Com isso eu não posso ajudar, eu moro sozinha e meus pais faleceram em um acidente de carro.
— Ah... Sinto muito – disse totalmente constrangido.
— Sem problemas — ela deu um sorriso singelo que chamou sua atenção.
– E para terminar...Quantos anos você tem?
– dezenove.
Conversaram por um tempo, falando sobre futebol de Scott, a faculdade de Victória e as fotografias e obras de artes que encantavam Debra, pouco tempo depois foi embora, Debra decidiu ficar por lá, ele se sentia um doido por deixar uma criança cuidar de seu maior tesouro, e mais doido ainda por seguir a cabeça de seu amigo Scott e por mais que fosse mais velho que Aaron, sua mentalidade era de alguém na faixa dos vinte.
Quando finalmente chegou em casa estava tudo apagado, como em todas as noites foi direto para o quarto de Abby e ela já estava dormindo como um anjo em sua confortável cama, puxou o cobertor rosa até perto de seu rosto e deu um beijo terno em sua pequena testa como fazia todos os dias, por mais que ele não estivesse presente no seu dia a dia, ficava feliz em tê-la consigo.
Já era oito horas, e ele andava de um lado para o outro, devia estar em seu escritório, porem queria ver a menina chegar, logo escutou um barulho de carro, olhou da janela, e ela chegava de taxi, desceu as escadas rápido e sem necessidade e Abby já estava lá, logo o mordomo abriu a porta para ela que estava com um cachecol branco e um vestido preto, seus cabelos soltos pareciam tão leves. Abby estava com a empregada colocando sua mochilinha, seu vestido rosa chamava atenção, sorriu ao vê-la parecendo uma pequena adulta.
– Bom dia senhorita Bennet – disse indo ao encontro da jovem.
– Bom dia senhor Carter – lhe dirigiu um olhar brilhante e intenso.
– Bem vinda a minha casa, aqui você terá um quarto caso prefira ficar aqui, poderá mudá-lo a sua maneira, mas antes de te mostrar tudo quero lhe apresentar uma pessoa.
Ela assentiu e foram em direção a Abby.
– Essa é a Abby, minha filha.
Abby era tímida e como não estava acostumada com pessoas diferentes encontrou refúgio nas pernas de seu pai, Debra deu um sorriso terno e se aproximou da pequena, abaixou-se em frente a ela e disse:
– Olá, eu me chamo Debra Bennet e se você deixar serei sua nova amiga – a morena então abriu os braços e para surpresa de Aaron Abby a abraçou.

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